Vieses inconscientes compreender para transformar

Escrito por:Kaká Rodrigues

Consultora de Diversidade parceira da Empodera. Mulher negra, coach, terapeuta sistêmica, treinadora comportamental e mentora de Comunicação Não-Violenta. Formada em Informática, com MBA em Mercado Financeiro e Banking e mestranda em Administração Co-fundadora da Div.A Diversidade Agora! Atuou por 15 anos no mercado financeiro em áreas comerciais, estratégicas e de apoio ao negócio. Atua na liderança do Comitê Igualdade Racial no Grupo Mulheres do Brasil, é idealizadora da Jornada CNV Aprofundamento e do workshop Passaporte Wakanda - Despertando a Autoestima da Mulher Negra. Acredita na liderança consciente, na empatia, na não-violência e na inclusão como caminhos para a mudança que quer ver no mundo.

18 out, 2021

Talvez alguém tenha comentado com você sobre vieses inconscientes, mas você sabe realmente o que são os vieses, como eles funcionam e o impacto deles nas suas escolhas? 

Vieses inconscientes são preconceitos e discriminações onde o nosso cérebro, busca filtrar as informações que recebe, utilizando o reconhecimento de padrões. O objetivo desse mecanismo é nos ajudar a tornar o mundo compreensível, nos ajudando a interpretar as diversas situações que se apresentam.

Então como podemos definir os Vieses Inconscientes?

De forma bem didática e resumida, é como se nós tivéssemos duas mentes: uma rápida que vamos chamar de sistema 1 e outra devagar, que no nosso exemplo será o sistema 2. O sistema 1 tem a função de reagir, julgar, opinar e simplificar as informações para fazer tudo isso da maneira menos custosa para o cérebro. Já o sistema 2, nosso sistema lento, é a nossa mente racional. É ela quem considera, avalia, justifica e analisa os dados, fatos e operações. Aqui, o processamento consome mais energia e é mais lento.

Os vieses inconscientes, portanto, é um mecanismo do nosso sistema 1. Com eles, conseguimos reduzir as informações que recebemos, simplificando-as e reagindo de maneira automatizada aos estímulos que recebemos, tomando decisões mais rápidas e com menor esforço. Esse mecanismo é essencial para a nossa sobrevivência.

Até aqui, tudo certo não é mesmo? E será que existe algum problema no uso desse mecanismo? Como diriam os sábios antigos, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. 

E como os Vieses inconscientes impactam na nossa vida?

Vivemos em um mundo muito mais complexo do que aquele que existia, quando os nossos sistemas 1 e 2 foram desenvolvidos. Com a industrialização, a globalização, a internet e todas as tecnologias que foram criadas nesse processo, saímos da realidade de sistemas simples de convivência em comunidades pequenas para grandes metrópoles com muita diversidade, desigualdades e alguns privilégios.

Nesse contexto, os vieses inconscientes se tornaram uma ferramenta de manutenção das exclusões sociais, base para a prática de atitudes preconceituosas e um grande obstáculo para o desenvolvimento de culturas inclusivas e senso de pertencimento. 

Nas organizações isso não é diferente. Em sua maioria, os temas relacionados à diversidade, equidade e inclusão, ficam relegados apenas à área de gestão de pessoas e a grande massa, inclusive a média e alta liderança ficaram totalmente alheias à necessidade de entender esse mecanismo, os seus impactos e como mitigá-los. Portanto, mudar isso e passar a reconhecer os seus vieses é o primeiro passo para ser uma pessoa mais consciente e inclusiva em todas as suas relações.

RECONHEÇA OS SEUS VIESES INCONSCIENTES

Abaixo descrevemos alguns tipos de vieses para que você esteja atento e possa fazer melhor uso do seu sistema 2 nos processos de tomada de decisão:

  • Viés de afinidade: é a tendência de avaliar melhor quem parece conosco. Não apenas aparência física, mas também semelhanças culturais, educacionais, econômicas, etc.
  • Viés de percepção: está relacionado aos estereótipos. Quando acreditamos e reforçamos preconceitos sem base concreta em fatos. Ex. “Mulher no volante, perigo constante.” É sabido que, estatisticamente, as condutoras do sexo feminino são mais cuidadosas, causando menos acidentes e, quando acontecem, em sua maioria são de baixa gravidade. No entanto, o estereótipo é tão forte que influencia jovens meninas e meninos no seu processo de obter a habilitação.
  • Viés confirmatório: é caracterizado pela disposição para procurar informações, que confirmem nossas hipóteses iniciais e ignore conhecimentos que coloquem em xeque as nossas crenças. Por exemplo, pessoas que gostam de rock não escutam rádios que tocam outros tipos de música, ou ainda pessoas que se identificam com uma ideologia de direita, não acessam blogs, jornais ou leem livros de esquerda, e vice-versa.
  • Efeito halo/auréola: é a propensão de, a partir de uma só informação positiva, ser muito mais disposto a avaliar melhor o restante das informações, mesmo que racionalmente não sejam tão boas. Ex. a forma como endeusam os artistas e líderes religiosos.
  • Efeito de grupo: é a tendência a seguir o comportamento do grupo para não desviar do padrão vigente. Por exemplo: o comportamento de manada de uma torcida de futebol em uma briga. A maioria das pessoas, sozinhas, teriam comportamentos diferentes daqueles que têm em grupo. O mesmo se aplica em processos seletivos nas organizações, quando a maioria dos selecionadores não estão considerando a diversidade como diferencial e ninguém se manifesta contra. 

Esses são apenas alguns exemplos de vieses inconscientes, que impactam a nossa tomada de decisão a cada momento. No entanto, a mente humana é complexa e já foram identificados mais de centenas de outros vieses. Por isso, precisamos entender também o que fazer para minimizar o impacto dos vieses na nossa vida pessoal e profissional.

E o que podemos fazer em relação aos nossos vieses inconscientes?

  • Antes de qualquer coisa, precisamos reconhecer que todos têm vieses. Se ficarmos presos à ideia de que somos boas pessoas, será ainda mais difícil mergulhar nessa investigação;
  • Aqui estamos falando de desenvolvimento pessoal e não dá para fugir da dupla autorreflexão e autoanálise. Refletir sobre as suas escolhas e analisar os seus comportamentos, é o primeiro passo para a tomada de consciência sobre os seus vieses;
  • Com a autoanálise, você será capaz de identificar as suas suposições sobre os outros. Nesse momento, poderá encontrar diversos preconceitos instalados no nosso sistema de crenças e talvez possamos precisar de ajuda para ressignificar algumas dessas “verdades”;
  • Indo mais além, desafie o seu status quo, fazendo conexões com o diferente. Existem pessoas diversas no seu círculo de amizades, na sua equipe, na sua família? Se a resposta for negativa, comece a procurar locais para fazer novas conexões empáticas com quem não se parece com você;
  • Divida os seus conhecimentos sobre vieses inconscientes com as pessoas à sua volta. Os desafios de convivência são coletivos e a solução precisa vir de uma mudança coletiva;
  • Se precisar entender mais sobre o tema, busque participar de palestras, ações de engajamento ou workshops como os desenvolvidos pela Empodera, podendo assim, ampliar o debate sobre o tema, compreender mais a fundo e fazer sua auto análise, para que suas tomadas de decisão, possam ser realizadas com menos influência dos seus vieses. 

Se interessou sobre o tema e quer levar esse bate papo para a sua empresa, para assim poder ajudar a construir um ambiente corporativo mais saudável e um mundo melhor?  Entre em contato com a nossa equipe e solicite um orçamento de palestra e/ou workshop sobre viés inconsciente para que a gente possa trabalhar em conjunto.

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